Não importa a hora, os caminhoneiros estão sempre na estrada. Passam a noite dirigindo.
“Não pode chegar depois do agendamento. Tem que tirar a diferença fazendo excesso de velocidade”, justifica um caminhoneiro.
“Quando durmo três horas por noite é muito”, diz outro caminhoneiro.
Esse é um comportamento padrão principalmente entre os motoristas que têm a obrigação de entregar a carga no horário programado. Segundo uma pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral, de cada 100 caminhões que cruzam as rodovias, oito motoristas consumiram algum tipo de droga e quatro tomaram remédio. São maneiras para não dormir ao volante.
“Quando vem o sono, toma rebite. É um remédio para emagrecer, só que o efeito colateral dele é manter acordado”, explica o caminhoneiro Ivan Luiz.
Durante uma fiscalização, o tacógrafo mostrou que João Marciano Bordião dormiu pouco à noite no trajeto de São Paulo a Minas Gerais.
“Fiquei parado de 21h até 2h30. Eu estava dormindo. Para mim é suficiente porque eu tenho costume de dormir cinco horas”, afirma o caminhoneiro João Marciano Bordião.
O Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais aproveitou para entrevistar os motoristas que foram parados.
“O que percebemos é um padrão dos motoristas, principalmente dos motoristas de carga, que eles fazem uma jornada muito extensa. Isso é irregular”, diz a procuradora do Ministério Público do Trabalho Adriana de Moura Souza.
A lei prevê uma carga horária máxima de 44 horas, por semana, para quem trabalha com carteira assinada. Mas muitos caminhoneiros são autônomos, excedem a jornada, viram a noite dirigindo e o cansaço pode provocar acidentes.
Josué Alves da Silva diz que estava dirigindo há mais de 48 horas, quando tombou o caminhão, há três anos: “Agora graças a Deus, eu estou ganhando menos, mas estou dormindo”.
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Fonte: Bom Dia Brasil





